{"id":2701,"date":"2020-01-20T11:39:09","date_gmt":"2020-01-20T14:39:09","guid":{"rendered":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/?p=2701"},"modified":"2024-10-21T11:45:03","modified_gmt":"2024-10-21T14:45:03","slug":"a-cor-da-visibilidade-trans-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/a-cor-da-visibilidade-trans-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"A cor da visibilidade trans no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>E se dissermos que h\u00e1 um grupo de pessoas que se re\u00fane com periodicidade, de forma organizada, para discutir assuntos como preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o,\u00a0 e formas de inclus\u00e3o poss\u00edveis para a atualidade? Um grupo que se prop\u00f5e a executar projetos que envolvem inova\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o de elementos de forma criativa e sustent\u00e1vel, mas que as empresas e institui\u00e7\u00f5es ainda ignoram. S\u00e3o pessoas vers\u00e1teis e adapt\u00e1veis \u00e0s mais variadas situa\u00e7\u00f5es, executam os projetos com alegria e determina\u00e7\u00e3o, mas que mesmo assim, est\u00e3o fora do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Acreditamos que, lendo o perfil deste grupo de pessoas, a maioria das empresas se interessaria em t\u00ea-las em sua equipe, afinal, funcion\u00e1rios criativos, pr\u00f3-ativos e com uma proposta de projeto sustent\u00e1vel s\u00e3o o sonho de qualquer lideran\u00e7a que esteja antenada \u00e0s necessidades do mercado atual. Mas qual ser\u00e1 a surpresa de quem l\u00ea este artigo ao saber que estamos nos referindo justamente \u00e0 fatia mais invisibilizada da popula\u00e7\u00e3o brasileira: as pessoas trans negras?! Se fizermos o exerc\u00edcio de pensar em pessoas trans negras que ocupam cargos de poder ou est\u00e3o na linha de frente de alguma institui\u00e7\u00e3o,\u00a0 certamente n\u00e3o seremos capazes de formar uma lista. Isso porque n\u00e3o estamos acostumados a v\u00ea-las em lugares comuns aos \u201cnossos\u201d. Grande parte desta popula\u00e7\u00e3o \u00e9 empurrada para a marginalidade e prostitui\u00e7\u00e3o por falta de oportunidades. S\u00e3o exatamente estes obst\u00e1culos que a pr\u00f3pria sociedade coloca, que fazem com que as pessoas trans negras sejam cada vez mais criativas. Existir em um corpo pol\u00edtico, ou seja, um corpo que s\u00f3 por sua presen\u00e7a j\u00e1 tr\u00e1s variadas leituras poss\u00edveis de resist\u00eancia e vit\u00f3ria, faz da criatividade uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. \u00c9 diante desta necessidade que surge o movimento Ballroom.<\/p>\n<p>Desconhecido da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, o movimento ballroom fica mais acess\u00edvel quando nos referimos ao videoclipe de Madonna, \u201cVogue\u201d. Por conta disso, o estilo Vogue \u00e9 at\u00e9 hoje associado \u00e0 cantora, como se tivesse sido ela a criadora do mesmo. Mas n\u00e3o. Vogue (um estilo de dan\u00e7a que envolve movimentos r\u00e1pidos e definidos com os bra\u00e7os e m\u00e3os) foi criado dentro do movimento ballroom. Mas afinal, de que exatamente estamos falando?<\/p>\n<p>O movimento ballroom surgiu oficialmente na d\u00e9cada de 80 (embora haja registros de eventos desde a d\u00e9cada 60) nas periferias dos Estados Unidos, criado por pessoas LGBTs negras, na busca de construir um espa\u00e7o para que pudessem se encontrar, e, de forma segura promover a divers\u00e3o e a discuss\u00e3o de assuntos importantes para elas\u00a0 que tinham seu acesso negado a espa\u00e7os p\u00fablicos. Com uma maioria de drags e pessoas transexuais, este grupo passou ent\u00e3o a realizar encontros em que ocorre uma esp\u00e9cie de concurso, as chamadas \u201cbatalhas\u201d, que unem dan\u00e7a, m\u00fasica e moda, com foco na criatividade.<\/p>\n<p>Com o tempo, essas batalhas se espalharam pelo mundo e est\u00e3o cada vez mais vivas em muitos lugares, especialmente no Brasil. Em S\u00e3o Paulo, as periferias e o centro se unem em eventos grandiosos, cheios de diversidade. Neles, o desafio \u00e9 criar conceitos, roupas, maquiagem, figurinos complexos e coreografias, com aquilo que se tem. Dinheiro n\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria prima, afinal, j\u00e1 sabemos que grande parte das pessoas trans negras t\u00eam dificuldade de se inserir no mercado de trabalho e isso afeta a situa\u00e7\u00e3o financeira das mesmas. E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a chave do sucesso: sem dinheiro, as pessoas trans e as travestis s\u00e3o o grande destaque destes eventos, com figurinos criativos que enchem os nossos olhos pela beleza e funcionalidade. Produzidos de forma sustent\u00e1vel, a base da maioria deles \u00e9 a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais e de roupas\u00a0 que, a princ\u00edpio, seriam muito singelas. Claro que h\u00e1, entre estas pessoas, algumas que possuem acesso a roupas mais caras, e sempre surge uma ou outra pe\u00e7a luxuosa, mas, pela concep\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio evento, isso n\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a, o que conta mesmo \u00e9 a funcionalidade do \u201clook\u201d diante da proposta de cada categoria de batalhas, al\u00e9m da resist\u00eancia do figurino que n\u00e3o pode desmontar durante a apresenta\u00e7\u00e3o da candidata ou candidato, que dan\u00e7a e se apresenta com movimentos ousados. Ali\u00e1s, dentro do movimento Ballroom, encontram-se ex\u00edmias dan\u00e7arinas e dan\u00e7arinos, que ensaiam exaustivamente para executarem movimentos impressionantemente expressivos.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental \u00e9 o engajamento social do movimento, que est\u00e1 sempre discutindo pautas como os direitos das pessoas LGBTs, em especial das pessoas trans, e outras quest\u00f5es como os acessos, a visibilidade e as formas de continuar mantendo estes encontros cada vez mais vivos, atrav\u00e9s de trocas e interc\u00e2mbios com outros grupos que fazem parte do movimento ballroom no Brasil \u00e9 no exterior. Na Ballroom Vera Ver\u00e3o 2020, realizada no dia 25 de janeiro com a organiza\u00e7\u00e3o\u00a0 do Coletivo Am\u00e9m e da House of Zion, por exemplo, havia uma campanha sobre o HIV sendo realizada durante o evento, com \u201cteste r\u00e1pido\u201d gratuito, al\u00e9m de orienta\u00e7\u00e3o sobre preven\u00e7\u00e3o. Sem dispor de grandes investimentos financeiros, mas com muita organiza\u00e7\u00e3o e engajamento, v\u00e1rios apoios e parcerias s\u00e3o realizados para que os eventos continuem acontecendo.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto,\u00a0 surpreendente que as empresas e institui\u00e7\u00f5es estejam perdendo estas pessoas com uma intelig\u00eancia e criatividade fora do comum. Como \u00e9 poss\u00edvel que possam barrar-se os acessos de determinado grupo de pessoas pelo g\u00eanero e cor da pele? Inclus\u00e3o e diversidade precisam deixar de ser conceito e se tornar pr\u00e1tica. \u00c9 urgente que tenhamos mais representatividade trans no meio corporativo. Queremos ter mais nomes como o de Yasmin Vit\u00f3ria, mulher trans negra que \u00e9 gerente de relacionamentos em uma grande empresa e se destaca por sua atua\u00e7\u00e3o brilhante no mercado, lidando diretamente com seus clientes, explicitando todas as vantagens que s\u00f3 a diversidade pode trazer.<\/p>\n<p>Gabi Costa e Gabriela Santos. Consultoras do Eixo de Ra\u00e7a e Etnia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se dissermos que h\u00e1 um grupo de pessoas que  [&#8230;]<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,24,26,25],"tags":[],"class_list":["post-2701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade","category-lideranca","category-linkedin","category-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2701"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2701\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2704,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2701\/revisions\/2704"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/integradiversidade.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}